As promessas do Candidato

Por: Antônio Lineu



Era uma vez um presidente que subiu ao poder embalado pela esperança de um povo cansado. Em cada discurso, suas palavras eram melodias que embalaram sonhos: "O custo de vida vai baixar! O pão será acessível, o gás não pesará no bolso, e os salários serão justos!" O povo, embriagado de promessas, lhe deu o voto e a confiança.

Mas a cadeira presidencial tem um estranho efeito sobre os ocupantes. Dias após a posse, os anúncios vibrantes deram lugar à voz monocórdica da realidade. "Não há razão para o custo de vida baixar", explicou com a tranquilidade de quem não faz compras. "Os comerciantes compram a mercadoria cara, então vendem caro."

O espanto do povo foi imediato. "Mas não foi o senhor que prometeu que tudo ficaria mais barato?"

Ele sorriu, como um mágico revelando o truque após o show. "Ora, minha gente, eu disse que ia lutar contra o alto custo de vida, não que ia vencê-lo!"

Os mercados continuaram caros, o gás seguiu pesando no orçamento e os salários, ah, esses permaneceram como estavam: insuficientes.

E assim, o presidente seguiu governando, entre justificativas e malabarismos verbais, enquanto o povo aprendia, mais uma vez, que promessas de campanha são como fumaça: dissipam-se no ar assim que a cortina do espetáculo se fecha.


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